Nesta aula do curso de Harmonia Funcional, veremos como aplicar o sistema CAGED e tríades para criar arranjos de Chord Melody no braço da guitarra ou do violão. Para exemplificar o passo a passo, utilizamos um 'Hino da MPB', servindo de exemplo para você poder aplicar esse mesmo método em qualquer composição.
A execução é, propositadamente, simples para que você possa "captar" melhor a teoria por trás de cada nota.
É necessário entender que o "Chord melody" não está exclusivamente reservado para ser aplicado em músicas complexas e "recheadas" de acordes e tensões (7, 9, #11, b13, etc,). Muito pelo contrário, é bem mais fácil começar esse trabalho com composições simples e, de preferência, que envolvam somente tríades. Assim como a "riqueza de uma composição" não terá relação alguma com seu "grau de complexidade" harmônica e melódica, podemos afirmar que um arranjo estilo "Chord melody" agradável não prescinde de algo "rebuscado e complexo".
Se a composição, por si própria, possuir uma linha melódica interessante e um acompanhamento que valorize, mesmo de maneira simples (porém "honesta"), dita linha melódica, bastará organizar de forma racional e coerente o acompanhamento. Em poucas palavras, bastará que o acompanhamento "possua" coerência rítmica e harmônica para, automaticamente, fornecer a sustentação necessária para deixar a melodia da música se desenvolver de maneira livre, fluente e independente, geralmente, na voz superior.
Por outro lado, tanto a questão rítmica quanto a harmônica e a melódica, deverão ser trabalhadas passo a passo, normalmente, praticando isso em três partes:
1) Racionalização e prática da voz extrema inferior. Ou seja, as células rítmicas que deverão produzir os baixos.
2) Racionalização e prática das vozes intermediárias. Ou seja, aquelas que complementarão as células rítmicas produzidas pelos baixos, no intuito de "caracterizar" o estilo musical envolvido (samba, bossa nova, baião, tango, etc.)
3) Racionalização e prática da voz extrema superior atuando sobre a melodia da composição.
Como exemplo, adotamos uma composição extremamente simples (que não por isso deixou de se tornar um "hino da MPB": Asa Branca, de Luiz Gonzaga), que servirá tanto para justificar tudo o que foi dito anteriormente, quanto para exemplificar, passo a passo, como você poderá proceder para fazer o mesmo com qualquer outra música.
Importante acrescentar que se trata de um curso de Harmonia Funcional, portanto, não bastará entender o procedimento a ser adotado para desenvolver a prática do Chord Melody, mas também compreender as questões referentes aos graus do campo harmônico de onde as tríades foram extraídas, assim como os conceitos básicos referentes às notas que compõem a melodia, sejam estas do acorde ou auxiliares, devidamente relacionadas ao modo formado sobre o mesmo grau das tríades que as acompanham. Por isso, a aula aborda também as questões pertinentes ao estudo da análise harmônica e melódica.